O Puerpério Dói... E muito


Alguma vez você já ouviu dizer que aquela quarentena mais conhecida como resguardo também é conhecida como puerpério? Esse nome esquisito nada mais é que o período em que a mulher passa desde o parto até o retorno total dos seus órgãos internos à condição anterior a gravidez.

Eu vou falar uma coisa para vocês... o puerpério dói... e muitas vezes a dor não é física a dor e na alma. Não são todas as mulheres que sofrem no puerpério, mas as que são “sorteadas” sabem a dor que é. Eu posso falar por mim, que tanto sonhei em ter um bebê, consegui uma médica espetacular, humana, carinhosa, tive um parto extremamente tranquilo, uma recuperação além das expectativas até mesmo das enfermeiras, vi tudo isso escorrer pelo ralo assim que saí do hospital.
Arquivo Pessoal

Sim, tudo é muito lindo até o momento em que você recebe a alta hospitalar.  A sensação que dá é que saindo do hospital a gente volta a nossa realidade. Assim que cheguei à minha casa sentei na poltrona de amamentação e fui alimentá-la. A noite chegou e eu não queria dormir, afinal de contas tinha medo de não acordar caso ela chorasse mesmo ela dormindo no meu quarto (porque eu não tive coragem de deixa-la no quartinho dela). Minha mãe me dizia que com certeza eu acordaria por que era o meu instinto materno. Mas o que é instinto materno quando nunca se viveu essa experiência?

A noite passou, o dia amanheceu e lá estava eu compenetrada na minha filha. Naquela mesma semana eu percebi que algo diferente estava acontecendo comigo. Uma felicidade por que minha filha estava comigo, mas ao mesmo tempo uma tristeza que eu não sabia explicar o porquê eu só queria chorar... chorar e chorar.
Uma vez cheguei a ficar 24 horas no meu quarto com a minha filha. Só levantei para fazer minhas necessidades fisiológicas e cuidar da higiene pessoal. A verdade é que eu não queria sair de perto da minha bebê e em contrapartida não queria que ninguém a carregasse. Somente um grupo seleto de pessoas. Ao mesmo tempo em que eu achava que eu estava bem eu me sentia presa dentro de mim.  Uma frase muito comum no mundo da maternidade que acabou se tornando um mantra é: “vai passar...”.

Lembro que um dia eu chorei tanto que meu marido perguntou o porquê que estava chorando e eu só sabia dizer que não sabia explicar.  Hoje eu entendo que são hormônios. Me recordo também que eu chegava à janela do meu quarto e olhava para rua. Parecia que era outro lugar.

A impressão que eu tinha é que me jogaram em outro país com uma bebê e uma carta com os seguintes dizeres: “cuide para sempre”. A ficha da ciência do tamanho da sua responsabilidade só cai quando você já está em casa. Por mais que você saiba que um bebê depende muito da mãe. É claro que estou falando da experiência da 1ª gestação, pois tenho amigas que falaram que com o segundo filho a gente leva com mais leveza.

Não bastasse a dor emocional Bella começou a ter cólicas com menos de 15 dias de nascida. Tão frágil minha bebê... e ao questionar algumas mães sobre esta fase o que eu mais escutava era eu deveria ter paciência por que só passaria depois dos três meses.  Na minha cabeça eu sofria por que teoricamente eu teria que esperar mais dois meses e 15 dias para ver minha filha bem. E se não bastassem essas dores, meu peito passou a dar choque toda vez que ela mamava.  Cheguei a parar no hospital por que eu estava sozinha em casa com ela a noite (Alisson trabalhando), e eu comecei a ter choque na mama direita. Enquanto ela chorava no carrinho eu chorava por não ter forças para carregá- lá.

 E para variar como toda mãe me senti culpada por não conseguir carregar a minha filha quando ela chorou. Essas dores não foram por conta de fissuras no bico do seio. Fiz um ultrassom na mama (evidentemente com muito medo de ser algo grave), e a mastologista me informou que se tratava de produção de leite.

 Até então a única coisa boa que tinha acontecido desde o parto da Bella foi à chegada dela, pois até então só tinha coisas ruins acontecendo. Com passar do tempo e muita oração a mama direita melhorou e as dores do peito esquerdo começaram. Desta vez era queimação ao extremo para amamentar. Batia a cabeça na cabeceira da cama de tanta dor que eu sentia, mas era um sonho amamentar e eu não queria ter que dar fórmula para minha filha.

Fui parar no Odete Valadares por que um dos ductos estava entupido. Das duas vezes em que eu fui a esta maternidade resolvi o problema apenas no dia, pois no outro o ducto entupia novamente e Bella não conseguia sugar o suficiente para desentupir.

Procurei a pediatra e pedi uma lista de fórmulas para Bella e da mesma forma fiz contato com a minha obstetra e pedi um remédio para secar meu leite. Essas profissionais foram tão carinhosas que me falaram que o fato de eu não querer amamentar mais não me faria menos mãe, e que amamentar tem que ser algo saudável e prazeroso.  Mediante essas palavras resolvi tentar mais uma vez, mas já estava disposta a suspender a amamentação caso a dor persistisse.
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Suportei por mais 10 dias até que o peito parou de entupir. Graças a Deus! Tudo isso no puerpério. Então daí vocês podem imaginar como minha cabeça estava. É muito importante que a mulher tenha uma rede de apoio, por que a experiência de outras mulheres fortalece quem está passando pela fase difícil que é o puerpério.
E ainda sim muita gente insiste em dizer que é frescura - como eu ouvi de visitas dentro da minha casa, do meu espaço que tudo que eu estava dizendo era frescura. E o que eu fiz? Nada! Ouvi igual uma pastel tamanha falta de respeito.

A gota d'água foi quando eu fui tomar banho pela manhã minha filha estava dormindo e eu chamei o meu marido chorando e falei com ele que eu não queria receber mais ninguém na minha casa.   Tudo isso por que na noite anterior minha filha tinha chorado demais e eu não tinha tido a maldade de dar um banho nela após a saída das visitas. Eu chorava porque era muita crueldade eu deixar as pessoas carregarem ela e no final ela sentir incômodo no corpinho. Com isso veio o choque de realidade do Alisson. Ele me disse que quando estávamos orando em favor da minha gravidez essas mesmas pessoas intercederam por nós, e que afastá-las não seria a melhor decisão. Mesmo por que essas pessoas vieram uma única vez à nossa casa.

Estudando sobre minha situação, quando enfim voltei à “realidade” (com 30 dias pós-parto), percebi que estava sofrendo com Baby Blues, uma tristeza profunda, seguida de sentimento de impotência, insegurança, que acomete às mães no pós-parto.

Mas além dele existe a depressão pós-parto que é um tipo de transtorno mental que faz com que a mãe involuntariamente rejeite cuidar do seu filho. Neste caso é necessário além do suporte familiar, acompanhamento de profissionais, a fim de ajudar a mãe a resgatar todo o amor que ela tinha pré-parto.  Apesar de muito comum entre as mulheres a depressão pós-parto ainda é muito tabu entre as famílias.

E por último e não menos importante, a psicose pós-parto, um transtorno que atinge uma a cada 500 mães. Este quadro faz com que a mãe tenha alucinações e estado de confusão. A mãe sente raiva da criança, ouve vozes e outros sintomas que se agravam por falta de assistência.


Aonde quero chegar? Não são todas as mulheres que passam por isso, mas se você sente algum destes sintomas, não hesite em procurar ajuda. Tenha uma rede de apoio... participe de grupos de mães, converse com amigas que passaram pela experiência da maternidade e por fim, se apegue à Deus, por que somente ele para nos ajudar a suportar esta fase. 

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12 comentários:

  1. Emocionante 😢😢
    Ninguém fala a respeito desses coisas. Chocada e orgulhosa.

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    1. Prima, foi foda.... foi punk... mas Deus me ajudou a superar. Deveria ter mais campanhas sobre esse assunto. ♡

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  2. Aline,
    Hoje tenho 58 anos. Me lembro do choro sem explicação quando tive meu segundo filho, tão amado. Simplesmente chorava por tudo. E também ouvia todo tipo de explicações. Porém agora, tudo parece tão longe e meus filhos adultos. Me identifiquei com seu texto. Foi bom de ler e será de grande valia para muitos, com certeza.

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    1. Oi, querida! Pouco se fala sobre isso, não é? Se puder compartilhe rste texto. Vamos ajudar outras mulheres♡

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  3. Oi, minha querida!!!!! Eu como sua obstetra vi vc passar por tudo isso e tentei ajudar da maneira que pude, mas infelizmente esse é um período doloroso e difícil pra todas nós que somos mães!!!! Claro que pra umas é mais difícil que para outras e o apoio familiar é o que temos de mais valoroso nessa fase. É um misto de amor com dor, de alegria com tristeza profunda, de sensação de fortaleza e de fragilidade. Eu, mesmo sabendo de tudo na teoria, não consegui passar ilesa por essa fase. Chorei muito, tive muita dificuldade em amamentar, sentia que não ia dar conta de cuidar do Davi..... Mas Deus é sempre muito bom e nos faz enxergar a liz no fim do túnel e coloca anjos na nossa vida. Minha mãe foi o meu anjo.... e tb a babá que Ele colocou no meu caminho 15 dias antes do Davi nascer! Meu marido fixou igual uma barata tonta.... mais atrapalhava que ajudava. 😖 Mas como vc mesma disse, tudo passa e a gente só se fortalece com todos esses sentimentos ambíguos e estranhos! Tenho muito orgulho de vc e da sua força! E compartilhar a sua história é uma maneira linda de ajudar quem não tem o apoio que tivemos. Um grande abraço e fica com Deus!!!! Bjinhos na Bela.

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    1. VOCÊ É MARAVILHOSA! AMEIIIIIIIII SEU DEPOIMENTO! POR ISSO QUE NÁO TE LARGO MAIS! KKKKK

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  4. A realidade q ninguém te conta. Vou compartilhar com as amigas.

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  5. Olá!! Obrigada pelo seu depoimento. Estou grávida de 10 semanas e um turbilhão de sentimentos estão tomando meu ser. Serei mãe solteira, estou desempregada e morando c minha mãe. Nesse momento eu estou pedindo a Deus pra cuidar de mim e do bebê, me dando muita força e sabedoria com esse novo mundo que está por vir. Abraço forte pra vc e sua família.

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    1. Oieee! Seu nome não apareceu, mas vou te falar uma coisa: nem eu e nem você somos Mulher Maravilha. Estamos longe de ser. Só que tem um porém: nasce um filho, renasce um MULHER. E NÃO É COMO LIGAR E DESLIGAR A LUZ NÃO. É DIARIAMENTE. VOCÊ VAI DAR CONTA PQ SEU BABY PRECISARÁ DE VOCÊ. VAI POR MIM. PARTICIPE DE GRUPOS DE MATERNIDADE NO ZAP. EU FAÇO PARTE DE UM. ME ENVIE UM EMAIL COM SEU ZAP QUE TE ADD LÁ. VOCÊ VAI VER COMO NOS AJUDA♥

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